quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Anatomia de uma Formiga

Em estado adulto, as formigas têm o corpo coberto por um revestimento rígido, que constitui a cutícula, impregnada de uma substância especial, a quitina, de fórmula química tão complexa que nem os ácidos conseguem atacar. Esse revestimento, que constitui o próprio exoesqueleto, protege os órgãos internos contra danos e perda de umidade e emite para o interior do corpo prolongamentos chamados apódemas, que servem à inserção de uma poderosa rede muscular, cujas fibras, sempre estriadas, se dispõem na maioria dos casos em sentido longitudinal. Os músculos são numerosos e complexos.

Na imagem abaixo está representada a divisão do corpo de uma formiga, abaixo está representado os órgãos internos da formiga. Esta anatomia, de certa forma é geral, ou seja, funciona para caracterizar no global todas as formigas, mas na verdade existem diferenças de espécie para espécie, umas vezes podemos ver essas diferenças imediatamente e outras vezes temos de olhar mais de perto para poder ver as pequenas diferenças.

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Nesta outra imagem vemos diferenças na anatomia entre espécies de formigas marcadas pelas setas.

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Esta última figura mostra algumas diferenças que existem entre espécies das formigas, neste caso foram apresentadas diferenças no pecíolo posterior, na presença/ausência de ferrão e no ocelli, mas existem outras diferenças.
O comprimento das formigas varia de 1,6 mm a quase 5 cm. A maioria das espécies são vermelhas, negras, marrons ou amarelas, mas existem algumas verdes ou de um azul metálico. E, como outros insetos, elas têm seis patas.
O corpo de uma formiga é constituída por três segmentos principais, cabeça, tórax (ou mesosoma) e abdômen (ou gáster).



Cabeça
Como qualquer outro animal, as formigas usam a sua cabeça para sentirem a informação do espaço que a rodeia, é muito importante para a sua sobrevivência e também da colônia.
No primeiro segmento do corpo de uma formiga localizam-se as mandíbulas e boca, olhos e antenas.

Vista frontal de operária de Ponerinae (Bolton et al., 2003).


Mandíbulas: É a ferramenta mais importante para uma formiga. As formigas não tem membros que as permitem agarrar tal como os Louva-a-deus, por exemplo, daí elas a usam para morder, carregar, cortar, escavar, caçar e lutar.

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Aparelho bucal: Na região inferior da cabeça, escondidas pelas mandíbulas, encontram-se os apêndices que entram na composição do aparelho bucal: o labro, peça central, como um largo lábio superior, forma a abóbada da abertura bucal; o lábio propriamente dito forma a base da boca; as maxilas e mandíbulas, colocadas lateralmente entre as peças anteriores, formam os lados da boca; a epifaringe, unida ao labro, forma o teto da cavidade bucal; e a hipofaringe, o assoalho. As formigas usam a boca não só para comer mas também para se lavarem elas próprias e as suas companheiras. As peças bucais são mastigadoras e a forma mandibular apresenta muitas variações, que são úteis para diferenciar espécies ou grupos, em alguns casos. 

clip_image010     Boca (2)

Olhos: As formigas apresentam olhos compostos e visão bem desenvolvida, capazes de detectar os movimentos mais sutis, enquanto outras têm olhos simples que só podem distinguir entre claro e escuro. Os olhos compostos contém centenas omatídeos (lentes que combinam de maneira a formar uma só imagem no seu cérebro). As formigas que usam a visão para atacar as presas têm olhos compostos maiores, outras formigas que vivem em lugares muito escuros têm olhos compostos menores e algumas até são cegas. Algumas formigas possuem ainda três olhos simples, chamados de ocelos, sempre com um só omatídeo e colocado sobre o vértice cefálico, em lugares escuros que detectam luz. Algumas formigas não têm olhos, ou os têm muito reduzidos. Em geral, as rainhas e os machos os têm muito mais desenvolvidos que as operárias (Caetano et al., 2002).

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Antenas: As antenas das formigas, ao contrário de outros insetos, são articuladas (e não retas ou recurvas). As antenas articuladas, longas e finas, é seu órgão sensorial mais importante, ajudando a encontrar alimento, na orientação e comunicação com outras formigas. As antenas são responsáveis pela função sensorial do olfato e são geniculadas, isto é, têm um segmento basal longo, o escapo, e uma série de pequenos segmentos, que podem variar de três até onze e que, em conjunto, denomina-se funículo, sempre em ângulo reto com o escapo. O termo pedicelo é utilizado para referir-se ao segundo segmento antenal, denominando-se flagelo aos segmentos seguintes (Bolton et al., 2003).

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Antena de operária de Pheidole (Bolton et al., 2003).

Dentro de Formicidae, é comum considerar o pedicelo como parte do flagelo e, este, como equivalente ao funículo. O escapo se articula com a cabeça por meio da inserção antenal (fossa antenal), atrás do clípeo. Os segmentos apicais do flagelo podem ser filiformes, ou possuir uma massa antenal, ou massa apical, com um a quatro segmentos alargados, e maiores que os demais segmentos (Bolton et al., 2003).

Tórax
É o segundo segmento do corpo de uma formiga, constituído por músculos que dão poder aos seus três pares de pernas e também abrigam as asas utilizadas pelas fêmeas aladas e machos, na época de acasalamento (castas sexuadas). Segundo Holdöbller & Wilson (1990), a glândula metapleural,  presente nas extremidades traseiras do mesosoma (tórax)  da maioria das formigas, produz o ácido fenil acético, uma substância fungistática e bacteriostática, sendo esta uma adaptação fundamental que permitiu a esses insetos o domínio do solo como habitat preferencial. Trata-se de uma glândula exócrina, cujo orifício está situado, normalmente, nas esquinas posteroventrais dos lados do mesosoma, sobre a metacoxa e debaixo do nível do espiráculo propodeal. O orifício da glândula encontra-se em uma superfície protuberante, algumas vezes muito conspícua, denominada bula (Bolton et al., 2003).

Pernas: Todas as formigas possuem três pares de pernas (hexápodes), uma em cada segmento do tórax. Em geral existem nas patas cinco segmentos: coxa, trocânter, fêmur, tíbia e tarso, este dividido em artículos em número de um a cinco. No último artículo tarsal encontram-se as garras, geralmente duas, e duas ou três minúsculas peças, os pulvidos, que ajudam a locomover-se em superfícies lisas. O esporão está presente no primeiro par de pernas e tem a função de limpeza das antenas. As garras se aferram à terra, cascas de árvore ou folhas, de modo que as formigas podem caminhar, galgar e escavar rapidamente. Também são usadas para limpeza do corpo. As formigas também são fortes. Muitas delas são capazes de erguer pesos 50 vezes superiores aos de seus corpos, tudo suportados por suas poderosas pernas.

Pernas (2)     Pernas

Abdômen
O terceiro e último segmento é o abdômen, sempre mais volumoso porque encerra os aparelhos digestivo e reprodutor, e tem duas partes - a cintura e o gáster.

A cintura (ou pecíolo): É o estreitamento entre o tórax e o abdômen. Algumas espécies possuem pecíolo posterior (pospecíolo), o qual pode apresentar-se com nódulos bem diferenciados do resto do gáster, ou serem apenas visíveis (Jaffe (2004). Esta é a única parte do corpo que distingue as formigas de outros insetos. As formigas têm cinturas finas para que possam mover as porções separadas de seu corpo com mais  liberdade em passagens estreitas. Isso permite que elas se contorçam em diferentes direções, característica importante para o movimento em um formigueiro, e também proporciona a flexibilidade da junção permitindo à formiga mover o gáster para usar o ferrão ou usar o ácido na direção do inimigo. De acordo com Jaffe (2004), os segmentos depois do propódeo são o pecíolo e, às vezes, o pospecíolo, 

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Gáster: Os órgãos que cuidam da digestão, da eliminação de dejetos e da reprodução ficam no gáster. O bucho, um órgão localizado no abdômen, é usado para armazenar comida, que mais tarde pode ser regurgitada (trofalaxia) para alimentar outros membros da colônia. Muitos grupos de formigas têm um ferrão funcional no extremo do gáster que contêm veneno.  Rainhas de certas espécies de formigas possuem gáster que aumenta muito de volume, devido ao aumento do ovário após o voo nupcial. Estas rainhas são denominadas de fisiogástricas (Jaffe, 2004).

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Compilado por Márcio Dias - Blog Formigas Brasil
Última atualização: 06 setembro 2013

4 comentários:

  1. Gostei, bem explicado.

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    1. Obrigado pelo elogio, Anônimo !
      Para seu conhecimento e de todos, esse é o post mais acessado do blog. Obrigado por ser o primeiro a comentar. Abraços e boa leitura em muitos outros artigos do blog!

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  2. interessante não sabia nada de formigas , apenas que elas existem , obridada!

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